São Paulo, 10/9/2010 03:23:41
   
 
 
 
 
 
 
 
Conheça o site do Fórum SBTVD
 
Se pega analógico, por quê não digital?
 
Com antena de UHF simples e amplificador de sinal, morador da Grande São Paulo assiste a 12 canais de TV Digital a mais de 32 km da principal antena de transmissão.
 

O empresário Paulo Curti, de 26 anos e morador da cidade de Cajamar, na Grande São Paulo, sempre foi um apaixonado por televisão e tecnologia. Como na sua região não existe oferta de TV a Cabo, há mais de dez anos assinou um serviço por satélite, mas jamais gostou da qualidade da transmissão e das frequentes quedas no sinal. A opção foi testar os mais diversos tipos de antenas e amplificadores de sinal para captar todos os canais abertos disponíveis em VHF e UHF. “Já caí do telhado mais de cem vezes, mas para mim isso é um hobby”, diz. “Sou tão fissurado, que consegui coisas surpreendentes, como acessar canais muito altos do espectro UHF que pareceriam impossíveis aqui”. Até o final de 2007, ele possuía em cima da casa quatro antenas (duas VHF e duas UHF), dois amplificadores de sinal, um amplificador de linha e um filtro de FM para barrar a interferência de estações de rádio.

Com o início das transmissões da TV Digital em São Paulo, em dezembro de 2007, ele quis testar imediatamente o sistema, mas devido ao preço inicial dos equipamentos resolveu esperar um pouco. Outro problema era achar a informação sobre as áreas de cobertura do sistema digital, já que mora a mais de 32 quilômetros da principal torre de transmissão digital na Avenida Paulista e em uma região levemente montanhosa. “Eu possuo um provedor de serviços de internet em Cajamar e ficava sempre procurando alternativas”, conta. “Quando achei um conversor a R$ 249,00, em junho desse ano numa grande rede de varejo, não resisti e comprei mesmo sabendo que talvez não funcionasse”. Primeiro ele perguntou ao vendedor se poderia testar o equipamento e devolver se não conseguisse captar o sinal digital. E mesmo diante da resposta negativa, decidiu arriscar. “Eu pensei: se consigo pegar sinais difíceis no sistema analógico, por quê não no digital?”, recorda.

Para surpresa de Curti, logo nos primeiros testes ele conseguiu captar um canal digital usando as mesmas antenas que possuía para captar os canais analógicos. “Infelizmente, no início a transmissão falhava um pouco”, explica. “Mas aí eu simplesmente resolvi arrancar toda a parafernália do telhado, deixei apenas uma antena UHF simples, um amplificador de sinais de 36 decibéis, e troquei a fiação por cabos coaxiais RG6, os mesmos usados pela TV por assinatura, que têm menos interferência”. O resultado, segundo ele, foi sensacional!

Curti mora sozinho com a mãe, mas tem cinco televisores em casa, todos com acesso à TV Digital. Três modelos são de última geração, com tela LCD, sendo um com receptor de TV Digital embutido. Os outros dois são televisores com tubo de imagem, um com tela plana um pouco mais novo e outro com tela convencional e mais de dez anos de uso. Além disso, ele já usou conversores de quatro fabricantes diferentes. Assim, Curti pode testar a recepção digital em aparelhos de diferentes tecnologias e comparar os resultados. “Nas TVs de LCD a imagem em Alta Definição é surpreendente e não há diferença na qualidade entre o aparelho com o receptor embutido e os dois com set top box, o único problema é ter um equipamento e um controle remoto a mais”, explica. “Já nos televisores mais antigos há sim uma perda na definição, mas a imagem é tão nítida e brilhante quanto a de um DVD”.

Com a TV Digital, Curti diz que sua experiência como telespectador mudou completamente. “Eu odiava novela, mas a qualidade das imagens é tão incrível, que eu passei a acompanhar uma em alta definição”, brinca. “Eu também não curto muito futebol, mas fiz um churrasco e reuni os amigos na final do Campeonato Brasileiro para assistir ao jogo e todos ficaram maravilhados com a transmissão”. Como bom companheiro que é, já usou as antenas que restaram do “tempo do analógico” e instalou o sistema de recepção digital na casa de três amigos também moradores de Cajamar. “E estão funcionando perfeitamente”, garante. Em sua residência, atualmente ele consegue captar 12 canais digitais com programação em alta definição.

Devido à sua experiência com os diversos sistemas, Curti acabou criando um olhar clínico que enxerga de longe quando a transmissão é realmente em alta definição e quando não é. “Muitas vezes aparece o logotipo HD no canto da tela, mas é fácil perceber que a qualidade não é a mesma”, afirma. “Isso fica muito claro, por exemplo, em alguns telejornais em que a resolução da imagem dos apresentadores no estúdio é muito melhor do que em algumas reportagens externas”.

Ele também alerta para a diferença de qualidade entre os conversores. “Me parece que algumas marcas lançaram o equipamento antes dele estar totalmente desenvolvido”, diz. “Tanto que para o primeiro que eu comprei já tive que baixar na internet dois fixware para consertar bugs. Há outras marcas melhores e mais baratas, então minha sugestão é que o consumidor verifique o funcionamento do aparelho antes de comprar”.

 
 
   
 
© Copyright DTV. Todos os direitos reservados.   |   Fale conosco   |   Blog   |