São Paulo, 10/9/2010 03:03:56
   
 
 
 
 
 
 
 
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O melhor é a imagem sem interferência e futura variedade na programação em HD, sem mensalidade.
 
Segundo um dos pioneiros da TV, a qualidade da imagem nos aparelhos com tecnologia digital já está muito próxima do máximo possível. Mas isso não adianta nada se o conteúdo dos programas não for pensado para tirar vantagem do padrão digital.
 
O engenheiro eletricista e empresário Romeu Grandinetti já conheceu os bastidores da implantação de uma grande rede de comunicação quando participou da equipe que montou a TV Bandeirantes, em São Paulo, inaugurada em 13 de maio de 1967.

Depois disso, ele se dedicou mais à área de telecomunicações, tendo trabalhado na Embratel, Telesp, TelespCelular e outras. “Mas o interesse pela TV ficou no sangue e por isso eu mantenho até hoje os contatos no setor e, como associado da SET – Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão, tenho acompanhado de perto os debates entre os pesquisadores das universidades, os engenheiros e o pessoal das emissoras nas definições dos padrões e nos testes de campo”, diz. “Além disso, frequento os encontros anuais da entidade, que tem sido uma excelente oportunidade de troca de conhecimento e relacionamento profissional”.

Apesar desse interesse, ele nunca foi um “fanático” por televisão, que diz assistir relativamente pouco. “Como meus filhos já são adultos e casados, agora vivemos somente eu e minha esposa em casa, e não somos muito ‘ligados’ em ver TV”. Assim, Grandinetti esperou um momento de queda nos valores dos equipamentos e consolidação da tecnologia para adquirir dois televisores de LCD e dois conversores de TV digital em dezembro de 2008.

Morando em uma casa próxima ao Aeroporto de Congonhas, no começo da Zona Sul de São Paulo, a princípio ele tentou usar somente as antenas internas dos aparelhos, mas só conseguiu sintonizar alguns poucos canais. “A grande diferença do sinal digital para o analógico é que com a nova tecnologia, ou a imagem entra perfeita, ou simplesmente você não pega o canal. Não tem a possibilidade de entrar com degradação”, explica. “O melhor do digital, sem dúvida, é a falta de ruído, de chuviscos, de fantasmas, enfim, de interferências. Mas eu aconselho o uso de antenas externas”.

Desse modo, Grandinetti adquiriu pouco tempo depois uma primeira antena de banda larga, UHF e VHF, que ele mesmo instalou no telhado e utilizou a fiação de uma antiga antena analógica que possuía. “Agora, não somente a imagem é perfeita, como também consigo sintonizar todos os canais digitais disponíveis na minha região”, afirma. “E o valor do investimento na antena não representa mais do que 5% do custo dos outros equipamentos, então realmente vale a pena”.

Segundo Grandinetti, a TV Digital é uma boa opção também para quem quer imagens de alta qualidade sem ter que pagar por serviços de assinatura. “Já tive TV paga, mas depois de discussões com as operadoras por causa de mudanças na programação, cancelei minhas assinaturas”, conta. “Hoje a maior parte da programação aberta transmitida digitalmente tem praticamente a mesma qualidade de imagem das TVs por assinatura, mas quando o programa é produzido desde o princípio com a preocupação de se tirar todas as vantagens da alta definição, então se chega à perfeição”.

Para ele, o grande problema é exatamente a falta de diversidade no conteúdo eminentemente digital. “Não adianta nada você captar e transmitir digitalmente conteúdo que não se beneficia da tecnologia”, cita. “Mesmo o futebol não foi ‘projetado’ para o digital, o que é completamente diferente de, por exemplo, um programa sobre a natureza em que você pode captar e transmitir com perfeição em todos os detalhes uma abelha sugando o néctar de uma flor”.

Conhecedor da evolução da tecnologia, Grandinetti acredita que a qualidade da imagem nos aparelhos está muito próxima do máximo possível. “Talvez as futuras TVs com tecnologia OLED (Organic Light Emitting Diode), mais finas, luminosas, rápidas e com maior contraste que as atuais LCD, possam ser um pouco melhores, mas a qualidade final está muito ligada ao padrão que já foi definido”, analisa. “Por isso, gostaria de insistir que o grande problema é realmente a questão da programação e as emissoras estão, na minha opinião, perdendo uma grande oportunidade de conquistar novos telespectadores oferecendo conteúdos diferenciados”.

Ele vê com muitos bons olhos a possibilidade técnica da chamada multiprogramação, já prevista no padrão da TV Digital brasileira. “Não vejo motivos para não liberar a multiprogramação e acho realmente que isso poderia ser um salto na TV nacional”, diz. “Só não vale ter três ou quatro canais passando a mesmíssima programação ‘importada’ da TV analógica”.




 
 
   
 
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